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"Evangelho sem cruz é religião sem graça e sem salvação"

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POR QUE TANTA DIFICULDADE NO CRESCIMENTO DAS IGREJAS?


“Mas o crescimento veio de Deus” (1 Coríntios 3.6b)

Por que será que tantas igrejas têm dificuldades com o seu crescimento? Ao analisarmos os recursos que se tem à disposição essa pergunta não deveria nos inquietar. Muitas propostas surgem como solução para o problema do crescimento das igrejas. Em todo momento somos bombardeados com o comércio de pseudossoluções.  Na verdade o problema que dificulta o crescimento da igreja é outro. 

O grande problema consiste em buscar nas soluções humanas os meios para o crescimento. Muitos querem copiar modelos: “Se está dando certo na igreja ‘A’, por que não fazermos o mesmo?”. E os modelos apresentados depois de algum tempo caem no desencanto. E como ficam as igrejas a partir de então? O que se ignora é que o crescimento vem através de Deus. Por outro lado, Deus dá o crescimento de acordo com a capacidade da igreja de promovê-lo. 

Diante de todo esse quadro que nos é apresentado somos desafiados a olhar para nós mesmos, sermos sinceros quanto ao potencial individual, falhas individuais ou coletivas e o propósito de Deus para a sua igreja. Além de buscarmos um aumento na qualidade na forma de sermos e fazermos igreja.

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TRANSFORMANDO O MUNDO

            Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minimizá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas. Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu laboratório decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível removê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção. De repente, deparou-se com uma figura do mundo em uma revista. Com auxílio de uma tesoura recortou o mapa em vários pedaços e junto com o rolo de fita adesiva, entregou ao filho disse:

- Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Faça tudo sozinho.
            Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa porque nunca tinha visto antes. Algumas horas depois ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:
- Pai. Pai. Já fiz tudo. Consegui terminar tudinho! 
            A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível na sua idade ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz? Então, perguntou ao filho:
- Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?
- Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei, mas não consegui. Foi aí que eu me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que tinha consertado o mundo.
            Esse é o desejo de todos: consertar o mundo. Como fazê-lo se ao olharmos a nossa cidade percebemos a dificuldade de consertá-la. Ou seja, se no micro há dificuldades como pensar no macro? Por outro lado, sabemos que o desejo de Deus é que a cidade seja transformada e por meio da igreja de Cristo.

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A IGREJA DO TIPO IDEAL

Às vezes olhamos a igreja de uma forma idealista. Desejamos, almejamos pertencer a uma igreja do “tipo ideal”. Quando pensamos na igreja, queremos uma igreja boa e perfeita em todas as suas manifestações. Que ora, evangeliza, ama, visita e tantas outras coisas mais.

Porém, olhando por outro prisma percebemos que ela caminha para ser santa, pura, sem defeitos, sem manchas. Assim olhou Paulo em Efésios 5.25-27. Creio que é por isso que ele não desistia da missão. Ele via uma igreja que estava a caminho sendo cuidada e tratada pelo Senhor, lavando-a e purificando-a.

Assim é a igreja do tipo ideal. Assim é o crente do tipo ideal. Às vezes, anda nos vales sombrios da dor, do pecado, da miséria. Às vezes anda nas nuvens, nas vitórias, na glória. O melhor olhar para ver a igreja é o olhar que parte dos olhos de alguém que, salvo pela graça de Deus, continua aberto aos processos de modelagem do Criador (Fp 1.6). Enquanto não chegar aquele dia final, não desista da igreja de Cristo. Faça você a sua parte para fazer da sua igreja o melhor lugar possível.

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COOPERAR E RECEBER COOPERAÇÃO

CONCLUSÃO

Se quisermos ser bem-sucedidos no ministério que Deus nos confiou, precisamos aceitar ajuda e nos colocar ao lado para ajudar. Precisamos identificar o irmão que precisa de ajuda e nos colocar ao lado para ajudar, e também buscar ajuda para a realização das nossas tarefas. Quem coopera e aceita cooperação, vence o egoísmo, pede ajuda e deseja a participação de todos no seu ministério. Deseja que todos tenham a honra de trabalhar na obra do mestre. Só obtém resultado no ministério aquele que estiver disposto a cooperar e receber cooperação.

Que os membros das nossas igrejas cooperem com o ministério do seu pastor como as mulheres de Filipos cooperaram com o ministério de Paulo. Que os pastores reconheçam a cooperação dos crentes em nossas igrejas como Paulo reconheceu a das mulheres de Filipos. Que os líderes de nossas igrejas estejam dispostos a cooperar uns com os outros, assim como Clemente e os outros irmãos cooperavam na igreja de Filipos, e finalmente que haja em nossas igrejas o mesmo espírito de cooperativismo observado na igreja de Filipos. Ainda que a nossa cooperação esteja no anonimato diante dos homens, será reconhecida diante de Deus.

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COOPERAR E RECEBER COOPERAÇÃO - III

COOPERAÇÃO É AJUDAR E SER AJUDADO

Colocar-se ao lado para ajudar
 
Precisamos identificar o irmão que precisa de ajuda e não nos negar em ajudá-lo. As mulheres eram as mais fiéis cooperadoras na igreja de Filipos, mas naquele momento elas estavam precisando de ajuda e Epafrodito se colocou ao lado para ajudá-las.

Por falta de disponibilidade voluntária de cooperar, muitos em nossas igrejas abraçam tarefas a fim de dar sua parcela de colaboração, mas nas primeiras dificuldades desistem, pois falta cooperação, alguém que se coloque ao lado para ajudar. Muitos ficam de braços cruzados contemplando os ideais do seu irmão fracassar.

Aceitar ajuda

A primeira tarefa de Epafrodito era convencer Evódia e Sindique de que elas precisavam ser ajudadas. Um dos maiores problemas da cooperação é a dificuldade que a pessoas tem de admitir que precisam de ajuda; muitos preferem fracassar a serem ajudados. Quem não aceita ser ajudado é porque se sente auto-suficiente. Muitos não aceitam ajuda, pois entendem que procurar ajuda é mostrar incapacidade.

Para que haja cooperação é necessário que se vençam duas barreiras: oferecer e aceitar ajuda. A pessoa que quer cooperar tem medo de se oferecer e o outro não aceitar sua ajuda; já quem deseja ser ajudado tem medo de o outro se negar a cooperar. Mais duas barreiras à cooperação: a mania e o medo; a mania de querer que as coisas aconteçam do nosso jeito, e o medo de não sair do jeito que o outro quer.

Para que haja cooperação precisamos de pessoas que admitam ser ajudadas e de pessoas que estejam dispostas a ajudar.

Ter cuidado com o reconhecimento

“... e com outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida...” Filipenses 4.3c

Na epístola aparecem os nomes de muitos cooperadores, mas a igreja de Filipos era tão assídua em cooperar que existiam ali os cooperadores anônimos, por isto o apóstolo não menciona o nome de todos. O apóstolo disse que em toda a Macedônia nenhuma igreja era como a de Filipos na arte de cooperar (Fp 4.15), talvez essa igreja seja o maior exemplo de cooperação em toda a Bíblia.

Temos o hábito de querer que todos saibam os nossos prodígios, muitas pessoas quando os seus feitos não são vistos, logo “emburram” e querem cruzar os braços. Há outros, que para exibir modéstia ou para não serem explorados, não querem que suas habilidades sejam demonstradas. Tanto numa situação como a outra é uma elevação do ego e é prejudicial à cooperação. Vemos cooperadores cuja cooperação logo se sobressai e eles são notados e procurados por todos. Esses precisam de maiores cuidados, pois estão expostos às críticas e aos elogios. Já existem outros que trabalham assiduamente, anos a fio, e o seu nome nunca aparece, e às vezes nem sequer são lembrados. Esses são os cooperadores anônimos, que estão no anonimato diante dos homens, mas são lembrados por Deus.

Não existe erro em reconhecer o trabalho de alguém, e de certa forma é gratificante para quem trabalha ter o seu trabalho reconhecido. O erro é trabalhar com objetivo apenas de receber aplausos e reconhecimentos, e ainda se chatear quando isso não acontece.

[Continua]

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COOPERAR E RECEBER COOPERAÇÃO - II

A RAZÃO DA FALTA DE COOPERAÇÃO

1. A falta de entendimento (Fp 4.20)- Com a prisão de Paulo, a igreja de Filipos passava por um momento crucial, mas alguns irmãos juntos cooperavam para que ela não ficasse em dificuldades. Enquanto isso, Evódia e Sindique, duas cooperadoras assíduas, peças importantes para o fortalecimento da igreja, estavam de “birra”; o apóstolo apela para que as duas deixem seus caprichos e cooperem com os outros irmãos em benefício da igreja.

Em nossas igrejas as pessoas mais aptas para cooperar são as que mais se desentendem, e talvez isso seja o grande problema da falta de cooperação. Quando as pessoas que são responsáveis pelo desenvolvimento do grupo se desentendem, todo o grupo se desintegra e se desmotiva. Assim fica impossível haver cooperação, e quase sempre o desentendimento não tem fundamento; é só por causa de alguns caprichos. Para que haja cooperação precisa haver entendimento e o abrir mão de alguns caprichos.
2. A falta de companheirismo (Fp 4.3a)- A igreja que desenvolve cooperação desenvolve também companheirismo. O apóstolo Paulo tinha Epafrodito como um verdadeiro companheiro em seu ministério, por isto ele lhe pediu que ajudassem a Evódia e a Sindique, duas fiéis cooperadoreas no seu ministério que haviam se desentendido. Era responsabilidade de Paulo fazê-las voltar a se entender, torná-las cooperadoras e companheiras como dantes, por isso Epafrodito se colocou ao lado das mulheres para ajudá-las, a pedido de Paulo, porque era seu companheiro, e as duas eram fiéis cooperadoras na igreja de Filipos.

Companheiro é alguém que exerce o mesmo ofício, que pertence a mesma classe. Em nossas igrejas é desenvolvida a consciência de uma irmandade, mas às vezes isso não passa de uma ligação religiosa, falta-nos companheirismo, alguém que nos auxilie, que coopere conosco e nos ajude a cumprir as nossas tarefas. Se na igreja não houver cooperação, não há também companheirismo, e a irmandade não passa de uma conivência religiosa.

[Continua]

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COOPERAR E RECEBER COOPERAÇÃO

A cooperação existe em todas as instâncias da natureza. Os seres irracionais trabalham em conjunto, a fim de atingir o mesmo ideal. Ex.: Quando as andorinhas saem em revoada, voam em forma de V. Uma assume a ponta para quebrar o vento, e quando essa cansa, volta para a parte de trás e as duas que estão próximas assumem a posição, cada uma por sua vez. Em todo o trabalho se utiliza um conjunto de ferramentas a fim de se chegar a uma conclusão. Na natureza Pai, Filho e Espírito Santo trabalham numa ação conjunta a fim de atingir o mesmo ideal.

A cooperação é algo natural, todos cooperam de alguma forma com alguma coisa. No âmbito espiritual, quando não se coopera para a obra de Deus, se coopera com as obras do diabo. A cooperação pode ser positiva ou negativa, podemos nos ajuntar para cooperar para o bem ou para o mal, para edificar ou para destruir. Na Bíblia vemos alguns exemplos disto.

 
COOPERAÇÃO POSITIVA E NEGATIVA

A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que se juntaram para cooperar de forma negativa e de forma positiva. Por exemplo: quando Moisés ministrava entre o povo, recebeu uma visita do seu sogro Jetro, o qual viu como era árdua sua tarefa, e cooperou com Moisés orientando-o para dividi-la. Moisés aceitou a cooperação sugestiva do seu sogro, e encontrou as pessoas capazes, disponíveis para cooperar (Êxodo 18), enquanto Arão, que esteve sempre com Moisés como um cooperador assíduo, cooperou de maneira negativa com o seu ministério. Enquanto Moisés estava fora, no Monte Sinai com Deus, para trazer a Palavra escrita à congregação, Arão, ouvindo o apelo do povo, levou a congregação a pecar, e Deus se irar contra o seu povo; Moisés, como era pastor, esteve diante de Deus clamando misericórdia pelo povo. A cooperação positiva redunda em muitas bênçãos, mas a negativa é um desastre. De que forma você está cooperando com a sua igreja e com o seu pastor?

COOPERAR OU COMPETIR?

Quando Paulo escreveu a carta aos Filipenses ele estava preso, e alguns crentes, por causa da sua prisão, pregavam o evangelho com mais ousadia (Fp 1.14). Porém, outros que não eram simpáticos ao seu ministério se aproveitaram da sua ausência para competir com ele e acrescentar mais a sua dor (Fp 1.15-16).

A igreja em Filipos tinha cooperadores e competidores. Os cooperadores nos momentos das dificuldades uniram forças para que a igreja não viesse a sofrer por causa da ausência do seu líder. Os competidores aproveitaram a ausência e os momentos difíceis do seu líder para implantar os seus ideais, criando assim mais dificuldades no grupo e aumentando a tristeza do seu líder.

Precisamos analisar a nossa participação na igreja. Se somos cooperadores ou competidores. Cooperar é agir junto, é andar na mesma mão e chegar no mesmo lugar. O contrário é competição. A igreja precisa de você como cooperador e não como competidor.
[Continua]

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ELES PRECISAM DA GRAÇA, URGENTEMENTE!

Vivemos dias difíceis em todo o mundo. Vimos recentemente a crise no Egito que beirou a uma guerra civil. Na Líbia o regime ditatorial tem se agravado provocando algumas reações no mundo. No Japão o episódio do “Tsunami”. O crescimento das religiões também é impressionante. Na China, por exemplo, existem cerca de três milhões de deuses. Isso e muito mais me leva a crer na urgência de fazermos Cristo conhecido. Para missões o mundo não tem fronteiras.

Ignorar a missão que temos como igreja, a de espalhar a graça de Cristo em todas as nações, é dizer que não nos importamos se as pessoas estão indo para o inferno. Não podemos estar excessivamente preocupados com os nossos interesses. A única solução para o mundo é Cristo. Deus quer salvar as nações. Negar isso é ser fariseu, no sentido bíblico, que cria num evangelho exclusivista, ou seja, só para os judeus. Mas se os fariseus e judeus da época tivessem razão você hoje não seria salvo. No tempo de Jesus o ocidente era a extremidade da terra, composta por nações que precisavam ser evangelizadas.

Nesse caso, permita que o Espírito de Deus produza em você a consciência da importância de Missões Mundiais. ELES PRECISAM DA GRAÇA, URGENTEMENTE! Isso porque para a graça o mundo não tem fronteiras.

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IGREJA E TEATRO

Eu costumava ver o culto de adoração na igreja como um tempo de entretenimento. Falando sobre pessoas como eu, Sören Kierkegaard disse que tendemos a pensar que a igreja é um tipo de teatro: Sentamos na plateia, e observamos atentamente os atores no palco. Se formos entretidos o suficiente, mostramos nossa gratidão com aplausos. A igreja, porém, deveria ser o oposto do teatro. Deus é a plateia da nossa adoração.

O que mais importa acontece nos corações dos membros da congregação — não no palco. Deveríamos sair do culto de adoração nos perguntando não “O que eu ganhei com isso?”, mas “Deus se agradou com o que aconteceu?”

Foi difícil para Deus especificar os detalhes dos sacrifícios de animal para os antigos israelitas na adoração que praticavam. No entanto, Ele afirmou que não precisava de seus animais: “De sua casa não aceitarei novilhos, nem bodes, dos teus apriscos. Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas”(Salmo 50:9-10). Ele queria o louvor e obediência deles (v.23).

Ao nos concentramos nos aspectos exteriores da adoração, também perdemos o ponto: O Senhor está interessado em um sacrifício do coração, uma atitude interna de submissão e ações de graça. Encontrar-se com Deus e agradá-lo é o alvo da nossa adoração.

Phillip Yancey

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O CULTO

“O culto precisa ser gostoso. Ele precisa fazer com que as pessoas saiam de lá mais tranquilas, confiantes, carinhosas, mais preparadas para a vida e mais alegres. O culto a Deus precisa estimular o prazer da fé.”

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A RELEVÂNCIA DA IGREJA

Não existe um padrão de igreja. Uma forma para reprodução idêntica. Cada igreja possui suas peculiaridades. Cada igreja tem o seu lugar, a sua época. Nenhuma igreja é igual a outra, nem pode querer ser. É muito preocupante quando uma igreja vai em busca de métodos de crescimento, por exemplo, achando, ingenuamente, que aquilo que está dando certo em alguma igreja poderá dar na sua. Pura ilusão! É só olharmos para as nossas igrejas e veremos que elas são diferentes por que estão em lugares diferentes e são compostas por pessoas diferentes. Portanto, como pode uma igreja exercer um papel relevante? Vejamos:

1. A relevância da igreja está na consideração de que Jesus Cristo é o Senhor da igreja. A pior coisa para uma igreja é quando ela tem donos. Pessoas que mandam e gostam de mandar. Muitas vezes querem mandar até no pastor. Infelizmente muitos se submetem a isso. A primeira coisa que precisamos aprender é que Cristo é o dono e, portanto, o Senhor da igreja. Não há outro.

2. A relevância da igreja está no descobrimento da missão igreja em sua localidade. Precisamos da compreensão de que a igreja é um agente social, pois está inserida na sociedade. Uma igreja que não enxerga a sua comunidade, não é enxergada por ela.

3. A relevância da igreja está no descobrimento do potencial de cada membro. Os dons espirituais de cada membro estão intimamente ligados à missão da igreja. Deus envia capacitações de acordo com o que ele quer que a igreja faça.

4. A relevância da igreja está na consideração dos aspectos culturais e econômicos da comunidade onde está inserida. O papel da igreja numa região de classe média-alta, logicamente, não será igual a de uma comunidade carente. A forma de cultuar a Deus no Brasil é diferente do da África, do sul do Brasil é diferente do norte do Brasil, etc.

5. A relevância da igreja está no descobrimento do seu “público-alvo”. Devemos entender “público-alvo” como o grupo de pessoas em que a igreja tem de alcançar. Aqui não se enquadra os preconceitos ou atitudes discriminatórias, mas na identificação das pessoas que o Senhor quer que alcancemos. Cada igreja é diferente da outra. Uma pessoa que venha gostar da igreja A, pode não gostar da igreja B, e vice-versa. O que se considera aqui é a identificação da pessoa com a igreja. Portanto, as pessoas que se identificam com uma determinada igreja, esse é o seu “público-alvo”.

PR. LEANDRO MENEGATTE

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A MISSÃO DO CRISTIANISMO: INCLUIR OS EXCLUÍDOS

No mundo, hoje, o clamor é contra a exclusão social (os excluídos são a classe abaixo da pobreza). Quero neste espaço tratar o assunto do ponto-de-vista bíblico-teológico. Sendo assim, começo minha reflexão olhando para Jesus no seu relacionamento com os excluídos.

Em primeiro lugar, Jesus foi um excluído por ter nascido fora, num vilarejo e por ter fugido dos poderosos; cresceu fora sendo expulso de Nazaré; pregou fora na Galileia; morreu fora de Jerusalém por ser "persona non grata" para os judeus; ressuscitou fora do centro religioso, mas mesmo tudo isso ele sempre foi o Senhor.

Em segundo lugar, vemos como Jesus se relacionou com os excluídos do seu tempo. Na época a exclusão social não era de ordem econômica, mas religiosa. Os excluídos eram os leprosos, os doentes, os pagãos, os pobres e os pecadores, mas foram justamente esses que Jesus mais valorizou e esteve perto. Jesus rompe com a exclusão e sempre alerta para a necessidade de inclusão.

Em terceiro lugar, vemos a lógica da exclusão/inclusão de Jesus. O pensamento de Jesus é fazer com que os incluídos recebam os excluídos. A igreja tem esse papel. Ou pelo menos, deveria exercê-lo. Jesus nos deixou o exemplo!

Portanto, a igreja como manifestação do cristianismo tem um papel importantíssimo na luta contra a exclusão social. O escritor Clodovis Boff, destaca 4 atuações para a igreja:

1) Estar junto, fisicamente, dos excluídos. As necessidades são supridas estando não só perto, mas junto;
2) Ajudar os excluídos a crescerem como pessoa, autoestima, etc. A exclusão social tende a transformar sentimentos, personalidades e caráter;
3) Desmascarar a realidade da exclusão mantendo o ardor profético, denunciar a calamidade social, exercer pressão em todos os setores da sociedade com sua voz;
4) Suscitar esperança. Fazer as pessoas sonharem. Erguer a cabeça dos necessitados. Levantar o espírito de "avante".

E, com certeza, se a igreja (eu) praticar o Cristianismo inaugurado pelo Cristo da igreja, incluindo os excluídos, mesmo com a omissão do Estado, a realidade social ao nosso redor começará a mudar. O Cristianismo não deve ser o nosso discurso, simplesmente, mas a nossa prática.

Que o Senhor nos abençoe neste propósito!

PR. LEANDRO MENEGATTE

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POR QUE CONTABILIZAR OS FATOS CONTÁBEIS DAS IGREJAS?

As igrejas, denominadas de “templo de qualquer culto”, devidamente constituídas na forma de pessoa jurídica sem fins lucrativos, são imunes de tributos, conforme o art. 150 inciso VI “B” da Constituição Federal. No entanto, essa lei não as isenta das demais obrigações da pessoa jurídica, como entrega de DIPJ (Declaração de Impostos de Renda Pessoa Jurídica), escrituração dos fatos contábeis ocorridos no exercício e a publicação do balanço social, o que muitas vezes não é realizado por falta de informação dos líderes das igrejas no Brasil.

Conforme o art. 170 § 3º alínea III, as entidade sem fins lucrativos devem “manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão”. Dessa forma, a lei estabelece critérios legais e claros para tais entidades, tornando-as passíveis de, até mesmo, perderem suas imunidades de tributação.

Além do prejuízo da perda de isenção de tributos pela falta de escrituração contábil, deve ser observada a Palavra de Deus em Salmos 106:3: “Bem-aventurado os que observam o direito, que praticam a justiça em todos os tempos”. Diante do princípio bíblico posso afirmar que perder a isenção é colher o fruto da má semeadura.

Outro agravante quanto à falta da escrituração contábil é voltado para a gestão administrativa. Devido ao surgimento de diversas denominações, a igreja no Brasil passa por um período de ascensão, com um crescimento em massa, o que é bom para a expansão do Evangelho. Por outro lado, muitas dessas igrejas foram constituídas sem qualquer planejamento, estrutura física e administrativa, assim como muitas pequenas empresas, que se instalam e fecham em um curto espaço de tempo. O fato é que os líderes dessas igrejas não as consideram como uma empresa, o que administrativamente deveria ocorrer. Assim como uma empresa, as igrejas devem exercer um trabalho de planejamento, metas e objetivos. Sob tal ponto-de-vista, a elaboração da contabilidade é imprescindível, pois irá proporcionar uma base sustentável para o gestor administrativo, que terá como fundamento as demonstrações contábeis para análises e projeções, não sendo direcionada apenas por um simples relatório: receitas (-) despesas = lucros ou prejuízos.

As igrejas precisam entender que, apesar de não serem deste mundo, estão inseridas no mundo, o que torna necessário saber quem são, para onde estão indo e aonde podem chegar financeiramente.

Lembro que planejamento financeiro, além de ter sua grande importância para o crescimento da igreja, é também um princípio bíblico, como destaca Lucas 14.28: "Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?"

Guilherme Rodrigues Spolador [Contabilista, cursando Administração. Membro da Comunidade Nova Aliança de Londrina]

PR. LEANDRO MENEGATTE

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O QUE ESTAMOS FAZENDO COM A IGREJA?

Reunido com seus discípulos, Jesus faz uma pergunta que deixou Pedro à vontade para responder: “Quem os outros dizem que o Filho do homem é? (...) Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas” (Mt 16.13-14). Entretanto, a preocupação de Jesus não consistia na maneira como as pessoas o enxergavam ou pensavam sobre ele. O que Jesus desejava era saber o que seus discípulos falavam a seu respeito ou sobre como os discípulos demonstravam ser Jesus. Por isso, prosseguiu reformulando a pergunta: “E vocês? Quem dizem que eu sou?” (Mt 16.15). Quando Pedro responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, Jesus afirmou que essa revelação fora feita pelo Espírito. E sobre aquilo que saiu da boca de Pedro, revelado pelo Espírito Santo, a sua igreja seria edificada. Ou seja, Jesus deu ênfase naquilo que definiria a sua igreja: “o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Isso fez uma diferença enorme na vida dos discípulos e, por conseguinte, da igreja. A igreja como instituída por Cristo sempre foi fundamental no ser discípulo.

Mas, com o passar do tempo a ênfase dada por Jesus foi sendo mudada. Todos agora são evangélicos. Alguns são “gospel”. Já fomos mais respeitados quando o caráter era trabalhado em nossas igrejas. A ênfase mudou. Passou a ser o poder espiritual com interesse no poder material e político, pois o interesse não está no quebrantamento espiritual, mas no “poder espiritual” para dominar. Neste caso a Bíblia foi aos poucos sendo posta de lado porque ela estabelece padrões e limites em todo o procedimento, mas parece que isso não interessa em alguns casos.

A ênfase de Jesus mudou. Foi substituída por revelações em cascata, de profecias onde líderes nem sempre sensatos fogem ao controle das Escrituras e ditam sua visão pessoal como se fosse palavra divina. O senso crítico foi abandonado. De pastor passou-se a bispo, a apóstolo (e sabe Deus onde isso vai parar...). De discípulos comprometidos com o Reino a consumidores exigentes que só se satisfazem se a igreja for do seu jeito e se atender aquilo que acredita ser a sua demanda; caso contrário, procura-se outro “fornecedor religioso”.

A igreja se desequilibrou. E isso é grave, pois uma igreja desequilibrada gera pessoas desequilibradas. Porém, o evangelho, “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, gera saúde, não enfermidade. Hoje não é difícil encontrar grupos que acham os sãos espirituais e emocionais de frios e sem experiências sobrenaturais. E se o rebanho não cresce é porque falta “poder”. Que “poder”?

A ênfase mudou. A ética deu lugar à celebração. É mais importante o “louvorzão” do que a reflexão sobre como anda a vida com Deus, o conserto da vida e das relações, a afirmação de valores divinos. Pouco se fala contra o pecado e santidade, a volta de Cristo, as exigências divinas para uma vida séria e comprometida com o Reino. As Escolas Bíblicas que antes eram fundamentais, onde numa cena belíssima pais caminhavam com seus filhos rumo ao templo, todos com suas Bíblias em punho. Hoje parece que não há tanto prazer. Aliás, não raro, as Bíblias são esquecidas ou deixadas propositadamente nos bancos do templo para que no domingo seguinte se encontre com seu dono. Quem sabe assim gera saudade da Palavra de Deus!

A ênfase mudou. A ética deu lugar a estética. Certa vez preguei numa igreja de minha denominação e fiquei assustado. Parecia um show. A entrada do grupo de louvor foi no mínimo doentia. As luzes do templo foram apagadas, refletores acesos cujos focos coloridos coreografavam no ambiente tornando-o num lugar mais parecido com uma danceteria. E o entusiasmo da “galera”? Senti-me mal. E envergonhado. Não foi isso que aprendi na Bíblia.

O que estamos fazendo com a igreja? Aquela igreja onde a Bíblia é pregada, em que a crença no poder do Espírito para fazer a obra crescer nos leve a prescindir de atos desonestos, de manipulações e de extorsão na contribuição. Aquela igreja que evangeliza e não agride. A igreja que aceita o crescimento dado pelo Espírito, e não o de produto de um marketing voltado para o seu “mercado consumidor”. Aquela igreja onde caráter é mais importante. Aquela igreja em que o evangelho não ceda lugar à convivência sem confrontações e sem exigências em nome de não repelir as pessoas. Aquela igreja que prega Jesus e não política. Que façamos da nossa igreja uma igreja que valha a pena. Uma igreja cheia de discípulos comprometidos com o Reino e não uma igreja “gospel”, cheia de evangélicos vazios da vida de Deus.

PR. LEANDRO MENEGATTE

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POR QUE TANTAS DIFICULDADES NO CRESCIMENTO DAS IGREJAS?

“Mas o crescimento veio de Deus” (1 Coríntios 3.6b)

Por que será que tantas igrejas têm dificuldades com o seu crescimento? Ao analisarmos os recursos que se tem à disposição essa pergunta não deveria nos inqui-etar. Muitas propostas surgem como solução para o problema do crescimento das igrejas. Em todo momento somos bombardeados com o comércio de pseudo-soluções. Na verdade o problema que dificulta o crescimento da igreja é outro.

O grande problema consiste em buscar nas soluções humanas os meios para o crescimento. Muitos querem copiar modelos: “Se está dando certo na igreja ‘A’, por que não fazermos o mesmo?”. E os modelos apresentados depois de algum tempo caem no desencanto. E como ficam as igrejas a partir de então? O que se ignora é que o crescimento vem através de Deus. Por outro lado, Deus dá o crescimento de acordo com a capacidade da igreja de promovê-lo.

Diante de todo esse quadro que nos é apresentado somos desafiados a olhar para nós mesmos, sermos sinceros quanto ao potencial individual, falhas individuais ou coletivas e o propósito de Deus para a sua igreja, além de buscarmos um aumento na qualidade na forma de sermos e fazermos igreja.

PR. LEANDRO MENEGATTE

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PROPRIEDADES EXCLUSIVAS DA IGREJA

“Vós sois o sal da terra(...). Vós sois a luz do mundo(...)”
(Mateus 5.13-14)

No Sermão do Monte Jesus se dirige aos seus discípulos destacando as propriedades que devem existir na igreja. Devem porque se nela não tiver, em nenhum outro lugar se achará. A igreja é para a sociedade o sal e a luz, não literalmente, mas conservando em si as mesmas propriedades destes dois elementos. O cristão como sal da terra e luz do mundo, não só deve ser diferente, mas seu comportamento como cristão deve ser um referencial para a sociedade.

Dois valores estão presentes no sal: o sabor e o poder de preservar da corrupção. O cristão e a igreja, portanto, devem ser exemplos para o mundo e, ao mesmo tempo, militarem contra o mal e a corrupção. Em relação a luz encontramos a remoção das trevas e do engano, iluminando o caminho certo para Deus e a salvação.

Diante disto concluimos: a) Que as igrejas que não vivem de acordo com suas propriedades serão lançadas fora por Deus, pisoteadas pelos homens e destruídas pelos baixos valores e maus costumes; b) Todos os que seguem Jesus são libertos das trevas do pecado, do mundo e do diabo. Os que ainda andam nas trevas não o seguem. Seja você aquele que cumpre com as funções de SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO.

PR. LEANDRO MENEGATTE

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CULTO E TRADIÇÕES

Qualquer igreja sofre por causa das tradições. As tradições dizem que temos de estar mais presos ao passado que ao presente. Embora não houve a preocupação de se desenvolver tradições, todas igrejas as desenvolvem. Por exemplo, os iniciadores do movimento batista não estiveram interessados em criar tradições, mas conduzir a igreja conforme as Escrituras no que diz respeito à mensagem e conforme a época no tocante à forma.

Todas as tradições começaram com inovações. As inovações surgiram para auxiliarem as pessoas a desenvolver um culto melhor a Deus. Com o passar do tempo as pessoas fizeram das inovações um mandamento de Deus. Ficaram cristalizadas e engessadas, sendo praticadas mesmo sem o sentido original e quando não havia mais alguém que as entendessem. É como a história “O gato do guru”. Todas as noites, quando o guru se sentava para o culto ao seu deus, o gato do Ashram (comunidade onde o guru viveu com seus discípulos) costumava caminhar pelo salão e assim distraía os adoradores. Por isto, o guru pediu que durante o culto da noite o gato fosse amarrado do lado de fora, em frente à porta.

Após a morte do guru, o gato continuou a ser amarrado em frente à porta durante o culto da noite. E, quando o gato finalmente morreu, outro gato foi levado ao Ashram para que fosse amarrado, de acordo com as regras apropriadas, durante o culto da noite. Séculos mais tarde, os seguidores do guru escreveram longas e detalhadas teses sobre o papel importante de um gato naquele culto. Todo aquele que não se curvava diante do gato na entrada já era considerado pecador. E se alguém ousasse questionar a importância do gato para a correta adoração era queimado como herege.

A tradição pode ser um instrumento muito útil. Mas o cristão não tem que se curvar a ela. Como surgiu a nossa tradição? Que sentido traz? Ela tem este sentido hoje? São perguntas que merecem respostas. A avaliação da tradição não é se ela é antiga e digna de reverência, mas se ainda cumpre o sentido original. E se existe algum gato que já não estimula as pessoas no culto e até as impede de ir aos cultos, será que não está na hora de ser solto?

“O culto precisa ser gostoso. Ele precisa fazer com que as pessoas saiam de lá mais tranquilas, confiantes, carinhosas, mais preparadas para a vida e mais alegres. O culto a Deus precisa estimular o prazer da fé” (anônimo).

PR. LEANDRO MENEGATTE

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O QUE ACONTECE EM SUA IGREJA?

A busca por algo “novo”, nem sempre é a solução para o seu descontentamento com sua igreja local.

– Ah, eu não perco tempo de ir àquela igreja, não. Ela é morta. Quero ir aonde aconteça alguma coisa, disse certa senhora.

De certo modo, a maioria de nós partilha de sentimentos assim. Algumas igrejas estão realmente mortas. Mas se estão, é porque os crentes estão mortos. Numa igreja onde houver um crente vivo, a igreja não estará totalmente morta. E este crente vivo pode avivar e revitalizar a igreja pelo poder de Deus. E se fizer isto, talvez esteja demonstrando uma espiritualidade mais profunda do que aquele crente impaciente que vai procurar outra igreja onde esteja “acontecendo” alguma coisa.

Talvez seja bom analisarmos um pouco mais detalhadamente esta situação. Em alguns casos, essa mudança é válida, quando é Deus quem a orienta. Mas precisamos estar certos mesmos de que é Deus mesmo que está determinando esta mudança, e não nós que estamos tentando fugir de um problema, impulsionados pelo imaturo desejo de busca de emoções fortes. A verdadeira pergunta que devemos fazer é a seguinte: o que deveria estar acontecendo na igreja?

O mais importante nisso tudo é ter experiência da presença de Deus. Existe por aí muito barulho emotivo que não é operado por Deus, nem é evidência da presença dele. É coisa da carne, gerada, organizada e manipulada por homens. Mas a verdadeira consciência da presença de Deus, geralmente é silenciosa. Há uma sensação de profundo respeito, reverência e alegria santa. Sentimos que não estamos num piquenique, mas pisamos terra santa. Não se trata de um divertimento, mas de uma experiência da alma. Quanto mais profundo for o sentimento da presença de Deus, menos disposição teremos para gritarias e atitudes levianas. Quando uma igreja é invadida pelo sentimento da presença de Deus, até os pecadores o percebem e sentem-se impulsionados a buscarem o perdão de um Deus santo.

O sentimento da presença de Deus é acompanhado de um consciente e deliberado espírito de adoração. Em todos os cultos, as pessoas deviam apenas adorar a Deus, deviam louvar e orar de maneiras que demonstrem quem Deus realmente é. Ele é quem deve ser exaltado, e não seres humanos, que talvez estejam na direção dos trabalhos. Não devemos ir à igreja para ver o que está acontecendo. E não devemos ficar ali sentados como num teatro ou cinema, pensando no que será que vai acontecer em seguida. Não devemos ser meros assistentes, mas verdadeiros adoradores, participantes e atuantes no culto. Não estamos ali em busca de diversão, mas em busca de Deus, e Ele se deixa encontrar por aqueles que o buscam de coração (Jr 29.13).

Outra coisa que é uma experiência correta, numa igreja biblicamente viva, é a fiel e ungida pregação da Palavra de Deus. Foi isso que Deus determinou. As pessoas que desejam apenas emoções e não querem meditar, são cristãos superficiais, que sentem-se entediados com a pregação simples da Palavra. Deus está em sua Palavra. Ele colocou bem no centro do seu método de operação a pregação da Palavra. E se a pregação é bíblica, cristocêntrica, e se acha impregnada de verdades, e dinamizada pela oração e pelo Espírito Santo, não existe nada mais poderoso que ela. Quando a Palavra é pregada é realmente quando as coisas estão “acontecendo”. Em nosso interior ocorrem maravilhosas transformações. Os pecadores estão sendo despertados; crentes estão sendo edificados, fortalecidos espiritualmente e impulsionados a terem uma maior comunhão com Deus. Que outros “acontecimentos” poderiam ter mais importância que estes?

Por fim, tudo que se passa numa igreja deve dar como resultado um viver mais santo. Se isso não acontecer, a exuberância religiosa não passa de mera fanfarra. A verdadeira prova a que se deve submeter a espiritualidade de uma igreja é da conduta ética, não a do seu êxtase. O que conta não é a intensidade do barulho de uma igreja, mas o modo como os cristãos vivem suas vidas dentro e fora dela, em situações de paz ou enfrentando os mais diversos problemas. O que “acontece” numa igreja viva deve frutificar em lares mais felizes, melhores relacionamentos, e um testemunho mais coerente perante nossos vizinhos e colegas de trabalho. Desse modo, os “acontecimentos” da igreja vão além das paredes do templo e se tornam uma força que poderá transformar sua comunidade para Deus.

[EXTRAÍDO]

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POR QUE VOU À IGREJA?

Um frequentador de Igreja escreveu para o editor de um jornal e reclamou que não faz sentido ir à Igreja todos os domingos. "Eu tenho ido à Igreja por 30 anos", ele escreveu, "e durante este tempo eu ouvi uns 3.000 sermões. Mas eu não consigo lembrar nenhum deles sequer. Assim, eu penso que estou perdendo meu tempo e os pastores estão desperdiçando o tempo deles pregando sermões!”

Esta carta iniciou uma grande controvérsia na coluna "Cartas ao Editor". Isto foi por semanas, recebendo e publicando cartas sobre o assunto, até que alguém escreveu este argumento: "Eu estou casado já há 30 anos. Durante este tempo minha esposa deve ter cozinhado umas 32.000 refeições. Mas eu não consigo me lembrar do cardápio de nenhuma destas 32.000 refeições. Mas de uma coisa eu sei, todas elas me nutriram e me deram a força que eu precisava para fazer o meu trabalho. Se minha esposa não tivesse me dado estas refeições, eu estaria hoje fisicamente morto. Da mesma maneira, se eu não tivesse ido à Igreja para alimentar minha fome espiritual eu estaria hoje morto espiritualmente."

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“CAIR NO ESPÍRITO”? QUE HISTÓRIA É ESSA?

Há alguns textos que a corrente do “cair no Espírito” se utiliza com o intuito de comprovar a veracidade da doutrina. Aqui vamos analisar esses textos, a descrição desse evento e buscar uma refutação bíblica como comprovação de que esse evento não passa de doutrina estranha e antibíblica.


• O primeiro texto é o de Ezequiel 1.28: na experiência de Ezequiel no seu encontro com o Senhor o verso diz: “...vendo isto caí com o rosto em terra...”. Essa expressão é utilizada para afirmar que Ezequiel, nesse momento, “caiu no Espírito”. Vejamos: desde o verso 22 do mesmo capítulo, Ezequiel vem narrando a forma com que o Senhor se revelou a ele. Está claro no texto que a grandiosidade, a majestade, o poder de Deus apareceu de uma forma que não deixou dúvidas para Ezequiel que esse que se revelara é o grande Deus (v.28b: “Esta era a aparência da glória do Senhor...”). Na continuidade do verso a expressão: “...caí com o rosto em terra”, na verdade, está expressando a reverência de Ezequiel à Deus que se autorevelou ao profeta. É somente isso!

• O segundo texto é Daniel 10.7-9: no verso 9 encontramos “caí sem sentidos, rosto em terra.”. Esse texto deve ser interpretado literalmente se considerarmos o contexto dos versos. Ao lermos todo o capítulo 10 percebemos que essa expressão está dentro do contexto de abatimento físico e, portanto, significa desmaio. É como se Daniel tivesse dizendo: “desmaiei com o rosto em terra”. Veja se não é isso: no verso 1 quando Deus apresenta a visão à Daniel, a visão “envolvia grande conflito” (v.1), ou seja, Deus estava revelando algo terrível que aconteceria no futuro na vida do povo. Quando chega no verso 7, embora os homens que acompanhavam Daniel não tivessem a visão, “caiu” sobre eles grande medo e fugiram (v.7) tal era a presença de Deus. Não obstante, Daniel teve o mesmo medo, mas vendo as revelações de Deus e contemplando o poder de Deus. A pressão espiritual, emocional e psicológica foi tão grande que Daniel sentiu no seu físico. O verso 8 nos mostra: “...não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não tive força alguma.”, como consequência, desmaiou. Por isso, a expressão “caí sem sentidos, rosto em terra”.

Quando você está em uma situação que gera medo como: um assalto, uma notícia trágica sobra sua vida e etc..., as suas forças vão embora, não é? Você sente um frio na barriga, fica tonto, a pressão arterial abaixa ou sobe, não é mesmo? Por que com Daniel seria diferente?

• O terceiro texto é Atos 9 quando narra a conversão de Saulo. No verso 3 a Bíblia nos diz que ele estava à caminho de Damasco quando viu uma luz do céu e caiu. Esse cair foi no Espírito? Claro que não! O verso 4 diz “e, caindo por terra...”, não significa que caiu no Espírito porque estava montado num cavalo, logo com o susto caiu no chão; tanto que no verso 6 o Senhor o manda levantar do chão. Ou seja, ele caiu mesmo foi do cavalo. Outro argumento: se o “cair no Espírito” é para crentes como explicar Saulo, que nesse momento ainda não tinha se convertido, tenha tido essa experiência. No texto veremos que ele só se converte ao Senhor depois de se levantar.

• O quarto texto é Apocalipse 1.17 que também é interpretado erroneamente. O texto diz “Quando o vi, caí a seus pés como morto.”. Primeiro o texto não diz que João caíra no Espírito. Somente diz que caiu a seus pés (aos pés do Senhor). É mais do que claro que esse é um sinal de reverência diante da majestade e poder do Senhor que se autorevelara à João. A expressão “como morto” apenas estabelece uma comparação (veja a utilização da conjunção “como”); ou seja, o que o texto está querendo dizer é que como Deus é tão poderoso e majestoso que quando estou na sua presença não represento alguma coisa, ou Deus é tão poderoso que se compará-lo comigo eu não existo, estou morto. Logo, esse verso não serve para se defender a ideia do “cair no Espírito”, até porque não há na Bíblia qualquer referência para esse ensino falso.

Diante disso podemos concluir:

1.º) Qualquer texto utilizado fora do seu contexto é apenas pretexto para defender ideias erradas que caracterizam heresias.

2.º) A doutrina sobre o “cair no Espírito” é equivocada por dois motivos:

a) Não há na Bíblia comprovações da veracidade dessa doutrina; pelo contrário, na Bíblia só vemos o Senhor le-vantando as pessoas (Lc 7.14; 21.28; At 9.6), vemos que o Senhor quer sobriedade (I Tes 5.6; II Tm 4.5; Tt 1.8;I Pe 1.13; 4.7; 5.8), encontramos ordem para que sejamos cheios do Espírito (Rm 15.13; Ef 5.18);

b) Quando olhamos para os exemplos do “cair no Espírito” verificamos:

• quando há essas manifestações nas igrejas que defendem a ideia, geralmente as pessoas “caem” no Espírito depois do pastor da igreja soprar sobre elas, ou seja, é uma “transferência” de Espírito. Isso nós não encontramos na Bíblia; pelo contrário, a espiritualidade é individual e buscada na individualidade (“Enchei-vos do Espíri-to” – Ef. 5.18);

• e, também, quando vemos esse evento ocorrendo verificamos que as pessoas entram em transe e perdem o domínio sobre suas mentes. Deus quer sobriedade (I Tes 5.6);

• por outro lado, esse tipo de transferência só encontramos em seitas espíritas que, inclusive, o espírito humano pode sair do seu corpo.

Portanto, antes mesmos de defender ou acreditar em qualquer manifestação como sendo de Deus, é preciso avaliar tais manifestações, doutrinas ou ensinamentos à luz do que se diz na Bíblia. Experiências não podem reduzir a Bíblia como se ela fosse insuficiente para determinar o que pode ou não pode ser aceito como prática religiosa. Também não afirmo que os adeptos do “cair no Espírito” sejam enganadores; apenas afirmo que usar a Bíblia para dizer que tal prática pode ser usada é no mínimo a demonstração de que a Bíblia não é, de fato, conhecida.

Por isso, acredito, não devemos criar nem praticar doutrinas humanas, mas sim, aquelas que já estão claras na Palavra de Deus. É isso que precisamos! É disso que o mundo precisa! Quando a igreja vive pela Palavra, resgata o sentido fundamental do viver em e por Cristo, na Palavra, não gera dúvidas ou escândalos, mas tão somente honra a Cristo e o glorifica. Que sejamos esses.

PR. LEANDRO MENEGATTE

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